quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mecanicidade

Andamos todos dormindo. Mesmo acordados não estamos despertos.
35 anos de buscas e só agora me dou conta de que o primeiro passo é acordar.

"Tada-ima", como dizem os seguidores do Budô. O "aqui-e-agora". Passado já foi, futuro, quem sabe o que reserva?

Após 3 anos em um grupo do 4C, onde todos deveriam (ao menos) tentar ficar despertos nas horas que desenvolvemos trabalhos nos Grupos, vejo que na verdade, estamos ocupados demais com a mecanicidade de entender a mecanicidade dos Eus , que não nos damos conta de que o tempo (para nós, simples mortais) ainda passa linearmente, ao menos é o que parece, e não vivemos segundo a segundo prestando atenção, primeiro em nosso cilíndro mecânico, o corpo físico, depois nos acontecimentos e pensamentos ao nosso redor (impressões).

Vamos como que descendo a ladeira rolando e atropelando-nos uns aos outros.

Cena 1:
Estamos conversando com alguém. Chega um outro perto. Simplesmente chaveamos a conversa número 1 para OFF ou Stand-By e iniciamos uma segunda conversa com o visitante e esquecemos do nosso primeiro interlocutor. Duas coisas terríveis aconteceram nisto: 1) Na verdade não estávamos dando a mínima para a conversa número 1; 2) O interlocutor primário nem se ofende, ou seja, também não estava dando a mínima para o que falávamos...

Cena 2:
Me pedem algo. Preciso dizer que não. Dou mil voltas e acabo por concordar. espero algum tempo e simplesmente ignoro o pedido e sigo a minha vida, na certeza de que há alguns minutos atrás não me pediram nada ou pior ainda, na certeza de que aquilo que me pediram não tinha mesmo importância para quem pediu...

Triste? É. Mas diria que mais que triste, é assustador, pois estamos todos nesta.

Acordemos!

Acordar é o primeiro passo para o "Solve et Coagula"


Bom trabalho!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Imagens

Meus caros,
Sábado passado foi o exame geral de faixas do Instituto Takemussu de Aikido.
Como Shodan, foi minha primeira vez na banca de avaliações.
O tatami foi dividido em 3 áreas onde um professor Yondan (quarto grau) comandava uma leva de examinados e examinadores. Fiquei na área central com o Edu de chefe.
Lá pela metade do exame, o Sensei Wagner mandou todos pararem o que estavam fazendo e pediu para que todos se sentassem.
Deslocou então, um trio de alunos faixas roxas para a área iluminada pelo Sol que entrava pela janela central.
Um deles foi posicionado no centro e aos outros dois, ordenou-se que o atacassem ininterruptamente no Ju-waza (técnicas livres contra os adversários - simulando um confronto real).
O que se seguiu valeu o dia.
Foi uma das melhores performances de Ju-waza que já havia visto, ainda mais levando-se em conta o fato de serem 3 iniciantes (praticamente).
Velocidade, fluidez e elegância nos golpes desferidos pelo rapaz que servia de naguê (o que recebe os ataques dos outros dois).
Finalizada a contenda, o Sensei mandou que retomássemos as atividades do exame.

No final da tarde, após o exame e durante a festa de confraternização, um colega emitiu o seguinte comentário:
- Você reparou no Ju-waza dos faixas roxas?
-Sim. Disse eu. Muito bom por sinal.
-Você sabia que o rapaz só avisou que tinha 5% de visão no momento da luta pois não queria que o tratassem de forma diferenciada durante o exame? E que só pediu para ir para uma área com mais luz para que pudesse enxergar melhor os "vultos" dos atacantes?

Me caiu o queixo.

Naquele instante me vieram algumas coisas a cabeça:
Será que se ele tivesse 100% de visão, teria se superado e feito o que fez com maestria?
E nós, que temos 100% de visão, o que fazemos quando somos colocados na mesma situação?
É realmente a visão nosso principal sentido?
Será que não vivemos confundindo nossa máquina humana ao insistir em usar nossas habiliades naturais de forma equivocada, obrigando a mente a reagir, intelectualizando os sentimentos e nos emocionando com nosso corpo?

O objetivo primeiro de todas as escolas iniciáticas é fazer com que voltemos às origens. Pensando com a mente, sentindo com as emoções e reagindo com o físico.

É necessário que sejamos desabilitados de parte de nossa capacidade para que enxerguemos isto, ou é possível fazê-lo de forma consciente?

Trabalho, trabalho, trabalho!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

HPLovecraft

Acabei de ler mais um livro do cara.
Coletânea de contos, inclusive com a primeira aparição do Cthulhu...quanto mais eu leio, mais tenho certeza de que o cara não era deste mundo.
Também, não é para qualquer um, ser o autor de cabeceira do Stephen King!

"Montanhas de Loucura" e à "Procura de Kadath" são obrigatórias num Domingo chuvoso, dia frio, na pouca luz e com nada para nos preocupar, a não ser com os ruídos abafados e de origem duvidosa do ambiente...

É diversão garantida.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tolerância Zero

Meus Caros,
Desde criança me perguntava porque as pessoas mais velhas não tinham paciência comigo. Porque se irritavam com minhas perguntas e questionamentos? Porque eu não podia parar no meio de uma caminhada com meu pai, por exemplo, para observar algo curioso ou interessante (aos meus olhos de menino)?
Hoje, parando para refletir, eu entendo, mesmo que parcialmente, o que vai na cabeça das pessoas mais velhas (me incluindo nesta lista).
É o "senso de urgência". A sensação de que a vida vai acabar e ficarão muitas coisas para fazer, que não teremos tempo suficiente para viver tudo o que podíamos.
Por isso vemos velhos (e jovens também) rabugentos e ranzinzas. Incapazes de um gesto de gentileza, de ceder um lugar em uma fila ou dar passagem para alguém mais apressado ou ainda se manter na sua pista com seu automóvel esperando que o trânsito ande novamente...
Volta e meia me sinto assim também, mas por ter vivenciado isso desde muito cedo, me policio constantemente para não cometer os mesmos erros.
Procuro (confesso que sem sucesso às vezes - na verdade a grande maioria das vezes...) esperar o tempo dos que estão comigo. Dar tempo ao tempo. Saber respeitar a mecânica da Natureza.

Minha mãe, hoje com 87 anos, certa vez foi ao banco para requerer seu CPF. Entrou comigo na fila regular e ficou em pé, esperando a vez. Uma atendente, muito solícita, veio informá-la que ela poderia passar à frente de todos e ter o atendimento prioritário. Ela olhou bem para a garota e disparou com toda a sua calma que lhe é peculiar: "Querida, estou viva, com boa saúde, não tenho absolutamente nada para fazer hoje, porque eu haveria de querer passar na frente de todo mundo que muito provavelmente têm milhares de coisas para fazer ainda esta tarde?!"

Relembrando este episódio, quero crer a chegada de um dia, para todos nós, onde este senso de urgência, perderá o seu sentido e voltaremos a "perder" tempo em uma caminhada para observar algo curioso ou interessante...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tese para Shodan do instituto Takemussu de Aikidô




1 Prólogo.
2 Tese: “A Importância do Recomeço”.
3 Conclusão.
4 Agradecimentos.
5 Bibliografia.
6 Referências.

1 Prólogo
Para os que não me conhecem ou me conhecem há pouco tempo, pratico artes-marciais desde 1982. Comecei treinando Tai´Yan-Dô, mais por curiosidade do que por qualquer outro motivo e, após alguns anos de treino me apareceram um monte de dúvidas e questionamentos, principalmente sobre este tal de “espírito marcial” que se manifesta em nós durante as práticas de treino e em situações críticas do nosso dia-a-dia.
Com isto em mente, decidi então procurar as origens deste espírito no Karatê-Dô. Iniciei a prática do Karatê Shotokan em 1984 chegando a Shodan, porém a minha inquietação só fazia aumentar.
Resolvi então começar do zero novamente, pela terceira vez, tentando achar a raiz de toda essa inquietude, a origem primeira do espírito marcial e, por dica do meu mestre de Karatê, fui atrás de Escolas de Aikidô.
Por sorte ou destino, ainda não sei direito, acabei indo parar na Rua Jussara pelos idos de 1993. Assisti a algumas aulas noturnas e senti, vendo toda aquela seqüência de chaves, torções, esquivas, fluidez de movimentos no embate corpo-a-corpo que, no Aikidô, havia algo mais. Não sabia bem o que era, mas estava disposto a procurar por lá, pois algo me chamava à atenção.
Comecei então a praticar Takemussu Aiki e o tempo foi passando...
Desde então estou nesta busca que espero sinceramente se encerre no meu último alento, para quem sabe, recomeçar de onde parei, na próxima.

Tinha em mente, para esta tese de aspirante à Shodan, uma lista enorme de assuntos filosóficos, científicos, culturais, intelectuais etc, para escolher e discorrer sobre um destes determinados temas, porém resolvi, dois dias antes do meu tão esperado exame, abordar um assunto simples. Um assunto que está na origem da minha vida como artista marcial. Um assunto que reflete o que se passou diversas vezes no meu interior e que sinto agora, neste exato momento.
Sendo assim, passei a borracha no texto anterior e comecei novamente.

2 Tese: “A Importância do Recomeço”.
Nós ocidentais somos treinados, desde a nossa infância, de maneira que todos os nossos atos e iniciativas sejam direcionados com o único objetivo de obter o sucesso e a vitória. O importante é vencer, em qualquer situação, ganhar é o que realmente conta e é o motivo de ser da nossa cultura ocidental, assim dizem nossos educadores. Muitas vezes esquecemos que em uma vitória ou sucesso alcançado sobre algo ou alguém, sempre há um lado oposto, uma situação, objeto ou pessoa vencida. Ou seja, sempre existe um perdedor para cada ganhador.
Muitas e muitas vezes não enxergamos que estes perdedores podem ser nós mesmos, apesar de um sucesso aparente, ilusório, momentâneo.

Em outras palavras:
Pensando que vencer e ser bem sucedido são os nossos objetivos “primordiais”, nos esquecemos, muitas vezes, que os erros são os reais motivadores do nosso aprendizado. Através do erro podemos ir muito mais longe. Quando acertamos algo, logo na primeira tentativa, nos fechamos para as diversas possibilidades que se abrem em novos horizontes para onde a nossa imaginação e a perseverança podem nos levar.

Um exemplo vivo disto, de que aprendemos mais com os erros do que com acertos e que posso discorrer sobre o tema com certa propriedade, foi minha reprovação no exame de Shodan de Aikidô realizado em Dezembro de 2008.

Preparei-me durante vários meses, treinei, tirei dúvidas, me condicionei e achei que estava tudo em ordem para o grande dia. Durante o exame, acabei achando que a vitória estava próxima, pois na minha cabeça de ocidental, mais uma etapa seria cumprida e coroada de êxito. Dava como certa minha aprovação, porém algo bem no fundo do meu ser me dizia que poderia dar muito mais de mim, que na ânsia do tão esperado sucesso, eu havia me esquecido de muitos dos fundamentos, aliás, do mais básico de todos eles: a harmonia.

É fundamental, não só no Aikidô, mas em qualquer das artes marciais verdadeiras, praticar a harmonia de corpo, mente e espírito. Manter a marcialidade sob controle e usá-la somente quando necessário, buscar a harmonia e a união com nosso companheiro de treino e com as adversidades do caminho. Nunca entrar em conflito se puder evitá-lo. Nunca usar força desnecessária. Nunca desperdiçar movimentos. Fazer tudo na seqüência certa e na hora certa, sem querer pular etapas, pois a natureza não dá saltos. Alinhar todos os centros para que a força universal (Ki) possa se manifestar de forma coerente e harmoniosa, fluindo o tempo todo.

Percebendo a situação, tentando administrar o conflito de vencer sempre (devido à minha formação ocidental) somado a minha voz interior falando que deveria fazer direito, não importando os resultados finais, acabei terminando o exame, achando que tinha feito o possível.
A banca examinadora, apesar das diversas restrições, acabou me aprovando com nota mínima, ou bem próxima disto. No meu íntimo, porém, e isso pode soar demagógico, eu sabia que este sucesso na verdade seria uma derrota no longo prazo. Iria me fechar para novas possibilidades, não poderia treinar mais oito meses focado somente nas técnicas básicas. Aulas onde pude examinar com a ajuda de diversos companheiros de treinos, de todas as faixas e graduações, o que estava fazendo de errado. Pude polir a movimentação de pés e pernas, pude me concentrar em como deslocar meu centro, como aplicar chaves sem fazer esforço, como achar o “vazio” dos ukês e aplicar as técnicas nos locais certos, senão certos, pelo menos eficientes...

Todas estas possibilidades só puderam se apresentar à mim graças a duas pessoas da banca examinadora: O Sensei Wagner, que desde o início do meu exame, tenho certeza, já sabia que eu poderia fazer melhor e ao instrutor e amigo Miura-San, que teve a amizade e companheirismo de me reprovar e não deixar que fosse em frente, mesmo tendo atingido a média numérica apresentada pela banca.
Graças a esta seqüência de eventos tive que colocar meu orgulho de lado, dar mais importância à minha voz interior (que me dizia que poderia mais) e mais uma vez, sentir com meu íntimo, que o recomeço na verdade, é uma oportunidade maravilhosa onde podemos refazer nossos passos de maneira correta ou pelo menos de maneira melhor do que foi feito anteriormente.

Esse é o espírito marcial, que me referi no início deste trabalho, é a energia que faz com que passemos por cima de todos os nossos sentimentos (orgulho, vaidade, preguiça, etc) para começar do zero, recomeçar a aprender algo, mesmo que tenhamos que sacrificar todo o tempo empenhado anteriormente. Entrar nesta empreitada com a mente vazia (da mesma maneira que um praticante do Zen faz, encarando o mundo a cada dia pela manhã ao acordar) é o maior dos desafios e que devemos estar preparados o tempo todo para enfrentar, pois somente com o erro e o recomeço é que podemos nos tornar melhores no que fazemos e como vivemos.

Este é o espírito marcial, o cerne da cultura oriental, onde se equivocar não é de todo mal, senão uma grande oportunidade para fazer direito e fazer melhor. Aprender o tempo todo com os próprios erros é a chave da auto-realização.
Quando aprendemos com os erros, vamos além. Subimos uma oitava na manifestação da vida sobre a terra. Adquirida a experiência vamos em frente cada vez melhores, ou pelo menos, melhores do que antes.
Atingimos os nossos objetivos errando? De certa maneira sim, pois vamos encurtando nossos passos em direção ao bem maior, adquirindo experiência e vivência. Cabe a nós termos a postura de aprender sempre, ora com os erros ora com os acertos. O que não podemos é ter uma atitude passiva e desistir no primeiro obstáculo, temos o dever de continuar e seguir em frente, não importando quão grande possam ser estes obstáculos aos nossos olhos.

Serei aprovado? Sinceramente não sei. Fiz meu melhor? Hoje, provavelmente sim, melhor que ontem, pois aprendi com minhas falhas anteriores, e se tiver que fazer tudo de novo e recomeçar do zero, com certeza aprenderei muitas coisas novas, compartilharei muitas idéias com meus companheiros, poderei observar melhor pontos que hoje acho estão em ordem e achar detalhes que não havia percebido antes. Assim é o eterno recomeço. Sempre podemos melhorar, o tempo todo, não importando quantas vezes tenhamos que fazer de novo.

A beleza de uma caminhada não está no destino final, senão na paisagem que encontramos pelo caminho.

3 Conclusão.
Chegamos ao fim, ou melhor dizendo, ao final de uma caminhada e início de outra. Independente da direção, seja em frente aos novos desafios, seja o recomeço para fazer melhor, o que realmente importa é que o leque de possibilidades é sempre infinito e maravilhoso em sua multiplicidade.

Sigamos todos nós em frente. Tenhamos em mente a importância do recomeço. Façamos o que tem que ser feito da melhor maneira possível, somente assim estaremos de acordo com a grande corrente da vida que emana do Universo. Boa jornada, à todos nós!

4 Agradecimentos
Agradeço aos meus mestres, professores, amigos e aos obstáculos (o que é justo, pois sem estes a jornada nunca renderia frutos) em ordem puramente aleatória, pois todos têm importância fundamental no meu crescimento pessoal e espiritual:
Ao Sensei Wagner Büll pelo trabalho constante em busca de aperfeiçoar seu Aikidô e, em conseqüência disto, dar-nos a oportunidade de fazer parte desta sua busca pessoal pela iluminação.
Aos meus professores de artes-marciais que me incentivaram a procurar nas origens destas artes as respostas a muitas questões que sempre me acompanharam e nunca haviam sido respondidas.
Aos meus companheiros de treino desde os tempos da Jussara, alguns ainda no caminho, e outros que optaram por trilhar caminhos diferentes. Espero sinceramente, que achem o que procuram.
Agradeço, em especial, à minha Vitória que como o próprio nome diz, não me deixa nunca alternativas, senão seguir em frente e conquistar meus objetivos.
Lembrando que nos tornamos pessoas integrais quando alinhamos os nossos centros, eu agradeço:
Aos meus companheiros de treino do Aikido-força: Sidão, Voltarelli, Consani, Bruno, Otávio, Alê Büll, Bala, Sangiorgio, Conde (in memoriam), que sempre me lembram porque o Aikido é eficiente como arte marcial e porque a preparação física é base fundamental de toda busca espiritual. Aos meus companheiros de Aikido-velocidade: Rafael, Edu, Gil, Claudia a minha Sempai, Miura-san, Eric, Tamotsu, que não nos dão tempo pra pensar no que vai acontecer na fração de segundo adiante.
Aos meus companheiros de Aikido-Zen: Matsuda, Claudineis, Satie, Uchikawa-san, Alexandre, que sempre impressionam quando me mostram caminhos simples, suaves e eficientes na execução das técnicas, nos lembrando que a harmonia e o sentimento são fundamentais em todos os momentos de nossas vidas. Carinho especial aos amigos Rafael Silva e Gui Büll (Edgar para você, Ednei) pela paciência excepcional e pelas palavras constantes de incentivo.
Agradeço ainda aos meus “ukês” com seu incansável entusiasmo e que deixaram de treinar muitas e muitas vezes seus katas, para me ajudar a chegar aqui: o Gomig, o Ricardo Montanha, o Cabral, o Edinei, o Barboni, Eduardo Kanasi, o Marcos, o Washington, o Fabinho, o João, o Rodrigo, o Amauri, a Ana, a Patty e a Fabi.
Ao povo todo, do primeiro ao sexto kyu, que cometo a injustiça de não citar nominalmente, mas que estão em minhas lembranças. Rostos que ainda não sei o nome, porém espero que fiquem tempo suficiente para que eu possa conhecer melhor cada um de vocês.
Vale citar aqui o espírito inquiridor e inconformado com as verdades absolutas, que herdei dos meus pais e que me fazem seguir em frente sempre em busca de algo maior.
Agradeço também a todos que, por um motivo ou por outro, nestes anos de Takemussu Aikidô foram “pedras no meu sapato” durante os treinos. Nestes momentos especiais, pude dobrar meu espírito e conhecer melhor quem realmente eu sou.
E finalmente, agradeço o dia em que fui ver o Aikidô pela primeira vez e, após assistir aos treinos achei que tudo não passava de coreografia combinada. Depois de alguns dias voltei e, mais uma vez inconformado, resolvi começar a praticar. Estou aqui até hoje tentando descobrir como a coisa toda funciona e acho que esta busca ainda vai longe, aliás, espero sinceramente, que esta busca se estenda por toda a minha vida...

Meu sincero obrigado a todos vocês.

5 Bibliografia
The Spirit of Aikidô, Ueshiba – Kodansha Books
Aikido & Dynamic Sphere, Westbrook/Ratti – Tuttle Editions
Aikidô Manual Técnico, Bull – Editorial Próprio.
Website Brazil Aikikai – http://www.aikikai.org.br/
Preleções e explanações durante as aulas do Sensei Wagner e Sidnei Coldibelli (ao longo dos anos).

6 Referências
Ukês convidados: Ana, Amauri, Edinei, Fábio Kawasetsu, Cabral, João, Gomig, Rodrigo e Washington.
Ilustração da capa: Interpretação livre do ideograma TAO por Luciano Peccerini Júnior – “Tao – O caminho. Da idéia ao movimento”.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Aula ontem

Ontem durante o treino pude sentir como às vezes com pequenos atos, provocamos nas pessoas ao nosso redor, um sentimento de gratidão que pode durar uma vida, e nem sequer nos damos conta do que estamos fazendo a época para estas pessoas.
Quando o B. estava prestes a fazer seu exame de Shodan, não percebi o quanto era importante para ele o fato de eu ficar a disposição meses a fio como ukê. (Só hj entendo, pois passei pela mesma coisa).
Esta atividade de ukê faixa-marrom, na minha opinião, é um momento de aprendizado único. Arriscaria dizer que é um dos mais importantes. Nos doamos o tempo todo. Sem cobrar nada em troca. Simplesmente deixamos de lado tudo o que poderíamos ficar treinando, corringindo nossos prórpios defeitos e de maneira egoísta evoluir em nós mesmos. Mas não. Ficamos à disposição de outro. Tomando chaves, torções e tombos, um atrás do outro, horas e horas a fio. Fazendo tudo o que podemos para que o outro cresça e corrija as pequenas imprfeições, pois a vitória no exame do nosso naguê, por tabela, é uma vitória nossa também.

Hoje estou do outro lado. Da minha parte, quero retribuir a cada um dos que me ajudaram, da melhor maneira que eu puder. Lembrando-me do que o B. falou ontem sobre a oportunidade dos novatos treinarem com os veteranos, tiro minha lição de ajudar aos que me ajudaram e de permanecer à disposição dos mais veteranos realimentando este ciclo de doação-gratidão.

Espero poder retribuir à altura àqueles que me ajudaram.